Símbolo do coração: porque fala de amor e de coragem

Amor, coragem, consciência: o que significa o coração, de onde vem a sua forma, o que dizem as suas cores e como oferecê-lo sem mal-entendidos.
Numa mesa de sueca, alguém mostra o trunfo: copas. Na carta, porém, não há taça nenhuma, só pequenos corações vermelhos. Chamamos copas ao naipe dos corações, e quase ninguém repara nisso. Com o coração é sempre assim: vemo-lo várias vezes por dia, no fim de uma mensagem, numa t-shirt I ♥ NY, num postal de aniversário, e entendemo-lo sem pensar. E, no entanto, não se parece nada com o órgão que bate no peito.
O símbolo do coração explica-se com uma só ideia: durante séculos, o coração foi visto como o centro da vida interior. Por isso representa o amor, mas também a coragem, a consciência e a memória. A sua forma, duas curvas em cima e uma ponta em baixo, tem outra história: as primeiras imagens conhecidas de um coração como sinal de amor datam de meados do século XIII, e ninguém sabe ao certo de onde veio essa silhueta. Contamos-lhe tudo, do Egito aos emojis.
O que simboliza o coração?
Conforme a época e o contexto, o mesmo desenho diz coisas diferentes. Estes são os significados que a história e a língua confirmam:
- o amor e o carinho, o sentido mais comum hoje;
- a amizade e o apoio, quando se envia um coração a alguém que atravessa um momento difícil;
- a coragem, que guarda o coração no próprio nome;
- a consciência, que os antigos egípcios punham numa balança;
- a memória, aquilo que se sabe «de cor»;
- a devoção, na imagem religiosa do Sagrado Coração.
Por trás de todos eles está uma crença muito antiga: é no coração que se sente, e até se pensa.
Saber de cor: o coração na língua portuguesa
O português guarda bem a marca dessa crença. Quando alguém sabe um poema ou uma canção sem hesitar, diz-se que o sabe «de cor». Segundo o Wikcionário, a expressão vem do latim cor, «coração», e chegou até nós pelo galego-português medieval. Aprende-se de cor aquilo que se guarda no coração.
Coragem, a «ação do coração»
A palavra «coragem» conta a mesma história. O mesmo dicionário explica que veio do francês courage, por sua vez nascido do latim coraticum, formado a partir de cor: literalmente, a «ação do coração». E define-a como a capacidade de enfrentar o medo, a dor, o perigo ou a incerteza. Oferecer um coração também pode querer dizer: coragem, estou contigo.



Egito: o coração na balança
Os antigos egípcios deixaram uma das cenas mais marcantes desta história: a pesagem do coração, descrita no Livro dos Mortos. Depois da morte, o defunto comparece perante o tribunal de Osíris. Num prato da balança coloca-se o seu coração, que representa a sua consciência. No outro, uma pena, símbolo de Maat, a deusa da justiça e da ordem do mundo.
Um coração leve e puro abre ao defunto a passagem para a vida eterna. Se pesar demasiado, espera-o Ammit, o Devorador, uma criatura com partes de crocodilo, de leão e de hipopótamo, que aniquila a alma. Aqui o coração não fala de amor: é o balanço de uma vida inteira, boa ou má.
Hera ou sílfio: de onde vem a forma do coração

Já vimos que o coração desenhado não copia o órgão. A origem da sua silhueta continua a ser um pequeno mistério. As hipóteses mais citadas são duas.
Duas pistas, nenhuma certeza
A primeira é vegetal: o motivo poderia vir de uma folha de hera, com ou sem o caule. O artigo Coração (símbolo) da Wikipédia lembra que, na iconografia medieval, esta forma já representava folhas de hera e de nenúfar. A segunda pista é mais surpreendente: liga a forma à semente do sílfio, uma planta hoje desaparecida, usada na Antiguidade como contracetivo. Quem desenhou o primeiro coração, e porquê, ninguém sabe.
Do Roman de la poire ao século XIV
O encontro entre esta forma e o amor está, esse sim, documentado. As primeiras ilustrações conhecidas de um coração como sinal de amor surgem por volta de 1250, num manuscrito francês do Roman de la poire, assinado por um autor chamado Tibaut: um apaixonado entrega o coração à sua dama. No século XIV, a imagem fixa-se num coração de dois lóbulos, aquele que conhecemos hoje. Sete séculos depois, é ainda o que desenhamos ao lado da assinatura num postal.
Copas com corações: o naipe que guardou outro nome
Voltemos à mesa de sueca. O baralho mais comum em Portugal tem 52 cartas, repartidas por quatro naipes, e o dos corações vermelhos chama-se copas. Para a sueca, jogada a quatro, em duas equipas de dois, usam-se apenas 40 dessas cartas.
O desenho com corações não é português: o modelo de baralho mais adotado no mundo foi desenvolvido pelos franceses no fim do século XV. O nome português ficou, o desenho mudou. Cada vez que se joga uma carta de copas, põe-se na mesa um sinal com mais de cinco séculos.
Do Sagrado Coração à Basílica da Estrela
No século XVII, o coração entra num terreno oposto ao jogo: a oração. Em França, o padre João Eudes promove o culto do Sagrado Coração e celebra uma primeira festa em sua honra. Pouco depois, entre 1673 e 1675, a religiosa Margarida Maria Alacoque afirma ter tido aparições de Cristo. A imagem que então se difunde é difícil de esquecer: um coração em chamas, rodeado por uma coroa de espinhos e encimado por uma cruz.
Lisboa, a primeira igreja do mundo
Esta devoção deixou em Lisboa um marco único. A rainha D. Maria I e D. Pedro III fizeram voto de construir uma igreja se tivessem um filho para herdar o trono. Dessa promessa nasceu a Basílica da Estrela, construída entre 1779 e 1790: a primeira igreja do mundo dedicada ao Sagrado Coração de Jesus a partir das revelações de Margarida Maria Alacoque.
Segundo o artigo «Filigrana» da Wikipédia em português, o Coração de Viana, peça tradicional da filigrana portuguesa, nasceu como sinal de devoção ao Sagrado Coração, e não como símbolo de amor. Aqui, o coração fala primeiro de fé.
I ♥ NY: quando o coração passa a verbo
No século XX, o coração deixa de ser só uma imagem e ocupa o lugar de um verbo. Em 1977, a campanha I ♥ NY, com o logótipo do designer gráfico Milton Glaser, começa a promover o turismo em Nova Iorque: um I, um coração vermelho e as letras NY. Desde então aparece em inúmeras recordações e folhetos, e o coração vermelho lê-se «amo».
O que diz a cor de um coração

Com os emojis, a cor do coração ganhou um sentido próprio. Não são regras fixas, mas hábitos partilhados, que a operadora francesa Orange reuniu num artigo sobre os emojis de coração:
| Cor | O que evoca com mais frequência |
|---|---|
| Vermelho | O amor, o carinho, um apoio forte |
| Cor-de-rosa | A ternura, a doçura, a amizade |
| Azul | A confiança, a serenidade, o apoio |
| Amarelo | O bom humor, a amizade, a alegria |
| Branco | A ternura, a paz, a lealdade |
| Preto | Um amor em versão rock, o humor negro, por vezes o luto |
Estes códigos também se leem numa joia. Um coração cor-de-rosa pálido fala mais de ternura do que de paixão; um coração azul evoca sobretudo confiança. O preto, como no nosso modelo com pedras facetadas, tem um ar gráfico e um pouco rock.
Um coração na lapela

Preso à roupa, o coração aceita muitas formas. Os nossos broches em forma de coração brincam com elas:
- o coração sozinho, cheio, rendilhado ou aberto à volta de um enfeite de strass;
- as composições de dois ou três corações sobrepostos, como o trio prateado que junta um coração grande martelado, um de contorno liso e um pequeno estriado;
- os tons suaves, como o coração duplo dourado rosado, com um contorno cor de chocolate, um coração rosa pálido acetinado e um pequeno cor de pêssego;
- os corações rendilhados que emolduram uma pequena árvore estilizada, um aceno a outro símbolo, cuja história contamos no nosso artigo sobre o significado da árvore da vida.
Os acabamentos variam consoante os modelos: dourado, dourado rosado ou prateado. Se gosta da ideia da pequena árvore, encontra-a também sozinha nos nossos modelos com a pequena árvore. Os tons quentes acompanham os corações cor-de-rosa e castanhos, como nos nossos broches dourados; o prateado realça o azul, o preto e o branco, que encontra entre os nossos modelos prateados.
Os modelos magnéticos prendem-se sem furar o tecido: estão também entre os nossos broches sem alfinete. E se não sabe onde colocá-los, o nosso guia sobre como usar um broche explica-o passo a passo.
Oferecer um coração sem mal-entendidos

No Dia dos Namorados, uma joia em forma de coração é o presente mais clássico. Mas a história do coração mostra que não fala só do amor de casal: fala também de coragem, de gratidão, de amizade. Pode oferecê-lo no Dia da Mãe, num aniversário, no Natal ou simplesmente para agradecer a uma amiga.
Tudo depende do bilhete que o acompanha. Bastam duas linhas para deixar clara a intenção:
- «Obrigada», para uma colega que lhe deu uma ajuda;
- «Coragem», fiel à origem da palavra, para uma amiga que tem um exame ou atravessa uma fase difícil;
- «Feliz aniversário», para a sua mãe, a sua irmã ou a sua madrinha.
Se ainda hesita quanto ao motivo, o nosso guia para escolher um broche para oferecer parte da pessoa, não do objeto. E para descobrir os outros motivos, dos animais aos retratos, espreite os nossos broches.
O símbolo do coração em resumo
| Quando | Onde aparece o coração | O que diz |
|---|---|---|
| Antigo Egito | A pesagem do coração, Livro dos Mortos | A consciência, uma vida inteira |
| Por volta de 1250 | O Roman de la poire | O amor, em imagem |
| Fim do século XV | Os corações do baralho francês, as copas em português | Um dos quatro naipes |
| Século XVII | O Sagrado Coração | A devoção, um amor que se entrega |
| 1779 a 1790 | A Basílica da Estrela, em Lisboa | A primeira igreja do mundo dedicada ao Sagrado Coração |
| Desde 1977 | I ♥ NY, depois os emojis | O verbo «amar», a amizade, o apoio |
| Hoje, em português | «De cor» e «coragem», do latim cor | A memória e a força para enfrentar o medo |
O símbolo do coração pode exprimir amor, coragem, consciência ou memória: o contexto, a cor e a mensagem que o acompanha determinam o sentido. No dia em que oferecer um, será você a escolher qual destes sentidos ele leva.
Perguntas frequentes
O que significa o símbolo do coração?▾
Sobretudo o amor, mas também a amizade, o apoio, a coragem, a consciência e a memória. Estes significados vêm de uma ideia antiga: o coração era visto como o centro da vida interior.
De onde vem a forma do coração?▾
A forma de dois lóbulos com uma ponta não é anatómica. As hipóteses mais citadas são duas: uma folha de hera ou a semente do sílfio, uma planta desaparecida. Nenhuma é certa. As primeiras imagens conhecidas de um coração como sinal de amor datam de cerca de 1250.
O que significa um coração preto?▾
Nas mensagens, um coração preto evoca um amor em versão rock, o humor negro e por vezes o luto. Numa joia tem sobretudo um ar gráfico.
Qual é o significado das cores dos corações?▾
O vermelho costuma exprimir o amor, o cor-de-rosa a ternura e a amizade, o azul a confiança e a serenidade, o amarelo o bom humor e a alegria, o branco a paz e a lealdade. São hábitos partilhados, não regras fixas.
Pode-se oferecer um broche de coração a uma amiga?▾
Sim. O coração também fala de amizade, de gratidão e de coragem. Um bilhete com o presente, «obrigada» ou «coragem», por exemplo, ajuda a deixar clara a intenção.
