Linguagem das flores: o que cada flor quer dizer

Rosa, cravo, miosótis ou crisântemo: o significado das flores mais oferecidas e das suas cores, a origem da linguagem das flores e os costumes a conhecer em Portugal antes de oferecer um ramo.
A linguagem das flores atribui um sentimento a cada flor e a cada cor: a rosa vermelha fala de amor, o miosótis de lembrança, o amor-perfeito de pensamento. Estes significados nasceram sobretudo de pequenos dicionários florais muito populares no século XIX, que nem sempre concordavam entre si. Para os usar sem equívocos, basta um método simples: pensar primeiro no que se quer dizer, escolher uma flor cujo sentido seja largamente conhecido e deixar que a cor e umas palavras escritas completem a mensagem. Mais abaixo encontra um pequeno dicionário das flores mais oferecidas, o significado das cores e os costumes que convém conhecer em Portugal.
De onde vem a linguagem das flores
O selam, um jogo vindo de Constantinopla
A ideia de que um ramo pode levar uma mensagem é antiga, mas a linguagem das flores tal como a conhecemos é uma invenção bastante recente. Em 1718, a aristocrata inglesa Lady Mary Wortley Montagu descreveu, a partir de Constantinopla, o selam: um jogo de mensagens codificadas em que uma flor, um fruto ou uma especiaria remetia para um verso. As suas cartas, publicadas em 1763 com o título Turkish Embassy Letters, fizeram sonhar a Europa, embora esse código otomano nunca se tenha limitado às flores.
De Paris à Inglaterra vitoriana
O livro que fixou a moda saiu em Paris em 1819: Le Langage des Fleurs, assinado por Charlotte de La Tour, um pseudónimo cuja verdadeira autoria ainda se discute. A exposição online Written in Petals, da biblioteca da Universidade Cornell, apresenta-o como um dos primeiros livros inteiramente dedicados ao tema. Foi traduzido e imitado por toda a Europa, e na Inglaterra vitoriana deu origem à floriografia, pequenos ramos pensados para dizer o que não se podia dizer em voz alta.
Fora da Europa existem sistemas próprios, como o hanakotoba japonês, com significados muito diferentes. É a melhor prova de que nunca existiu um código único, e de que cada país acabou por juntar os seus próprios símbolos.
Pequeno dicionário das flores mais oferecidas

A tabela reúne os significados mais citados hoje, com uma nota prática ou histórica na última coluna.
| Flor | O que diz | Bom saber |
|---|---|---|
| Rosa | O amor, com nuances conforme a cor | Vermelha para a paixão, branca para a pureza, cor-de-rosa para o carinho |
| Túlipa | A declaração, a alegria da primavera | A cor muda muito a mensagem |
| Margarida | A inocência, a simplicidade | A flor do "bem-me-quer, mal-me-quer" |
| Cravo | A admiração, a liberdade | O cravo vermelho é o símbolo do 25 de Abril |
| Miosótis | A lembrança fiel | Também chamado "não-me-esqueças" |
| Amor-perfeito | "Penso em ti" | Em francês chama-se pensée, pensamento |
| Violeta | A modéstia, o amor discreto | Clássica dos ramos do século XIX |
| Íris | A mensagem, a boa notícia | A deusa Íris era a mensageira dos deuses gregos |
| Lilás | O primeiro amor | O lilás violeta é o mais romântico |
| Girassol | A admiração, a lealdade | Ligado ao mito de Clície, que seguia o sol com o olhar |
| Papoila | A consolação, a memória | No Reino Unido homenageia os soldados mortos na guerra |
| Orquídea | A elegância, a sedução | Um significado moderno |
| Peónia | A prosperidade, a abundância | Muito apreciada na China |
| Crisântemo | A memória dos que partiram | A flor do Dia de Todos-os-Santos |
A rosa, a flor mais codificada
A rosa merece um olhar mais atento, porque é a flor mais codificada de todas: conta a cor e conta também o número de hastes. Para quem hesita entre dois tons, o nosso artigo sobre o significado da rosa vermelha e da rosa branca explica as nuances e quantas rosas oferecer.
O girassol e o mito de Clície
Uma curiosidade sobre o girassol: o mito de Clície vem do livro IV das Metamorfoses de Ovídio, muitos séculos antes de esta flor chegar das Américas à Europa, no século XVI. A história foi-lhe atribuída mais tarde, porque os girassóis jovens acompanham de facto o percurso do sol.



O que dizem as cores
Quando não se conhece o sentido de uma flor, a cor já dá uma boa pista. Estas são as leituras mais habituais hoje em Portugal:
- Vermelho: o amor, a paixão, a coragem. A cor mais explícita, para mensagens assumidas por inteiro.
- Cor-de-rosa: o carinho, a gratidão, a doçura. Ideal para agradecer ou dar os parabéns.
- Branco: a pureza, o respeito, os recomeços. Está nos ramos de noiva e nas coroas de despedida.
- Amarelo: hoje a alegria e a amizade, embora os dicionários antigos o ligassem ao ciúme.
- Laranja: o entusiasmo, a energia, o calor.
- Roxo e lilás: a admiração, o mistério, por vezes o luto.
- Azul: a serenidade, a confiança. Raro na natureza, o que o torna especial.
Uma flor, várias mensagens
A mesma flor pode, por isso, mudar de tom de uma cor para outra. A túlipa é o melhor exemplo: vermelha, declara; cor-de-rosa, agradece; amarela, alegra. Toda a paleta está explicada no nosso guia sobre o significado das cores da túlipa.
Um ramo misto esbate a mensagem de propósito, e muitas vezes isso é uma vantagem. Tons de rosa e branco juntos dizem simplesmente "lembrei-me de ti", sem impor nada.
Costumes a conhecer em Portugal
Algumas regras não aparecem nos velhos dicionários, mas pesam muito mais no momento de oferecer.
O cravo vermelho é o símbolo da liberdade. Na madrugada de 25 de Abril de 1974, os cravos distribuídos em Lisboa acabaram nos canos das espingardas dos soldados, e a revolução ficou conhecida como Revolução dos Cravos. Conta-se que foi Celeste Caeiro, empregada de um restaurante da Rua Braamcamp, quem ofereceu os primeiros a um soldado, e o Centro de Documentação 25 de Abril, da Universidade de Coimbra, guarda a memória desse dia. Todos os anos voltam à lapela nesse dia.
Os crisântemos pertencem aos cemitérios. No Dia de Todos-os-Santos, a 1 de novembro, as famílias levam-nos às campas dos seus. Oferecidos a uma anfitriã, podem ser mal recebidos.
Pelo Santo António oferece-se um manjerico. Nas Festas de Lisboa, organizadas todos os junhos pela EGEAC, o vaso de manjerico leva um cravo de papel e uma quadra popular, e continua a ser um presente de namorados.
A papoila muda de sentido consoante o país. No Reino Unido lembra os soldados caídos em cada novembro, desde o primeiro Poppy Appeal da Royal British Legion, em 1921; por cá é sobretudo a flor dos campos, da primavera e da beleza que dura pouco, como conta o nosso artigo sobre a papoila e o seu significado.
Como dizer algo com flores
Não é preciso dominar o dicionário inteiro para oferecer um ramo com sentido. Três passos chegam.
- Resumir a mensagem numa frase: "obrigada", "estou aqui", "amo-te", "parabéns".
- Escolher uma flor principal de significado conhecido e uma cor que vá no mesmo sentido.
- Escrevê-lo no cartão. Ninguém é obrigado a conhecer a linguagem das flores, e umas palavras evitam mal-entendidos, sobretudo com flores amarelas.
| Quer dizer | Flores escolhidas muitas vezes | Cores |
|---|---|---|
| Amo-te | Rosa, túlipa | Vermelho |
| Obrigada | Rosa, peónia | Cor-de-rosa, pêssego |
| Penso em ti | Miosótis, amor-perfeito, lilás | Azul, lilás |
| Parabéns | Íris, girassol | Amarelo, azul, laranja |
| Estou contigo | Rosa branca, margarida | Branco, tons suaves |
| Somos amigas | Margarida, rosa | Amarelo, cor-de-rosa |
Muitas vezes, a escolha mais acertada é a flor preferida da pessoa, diga o dicionário o que disser. A linguagem das flores serve para dar ideias, não para pôr à prova quem recebe o ramo.
Um símbolo que não murcha

Um ramo dura uma semana, mas um símbolo pode acompanhar-nos muito mais tempo. Nada impede de escolher uma flor pelo que ela conta e de a trazer perto: uma margarida pela simplicidade, um girassol pela alegria, um cravo pela liberdade.
É essa a ideia dos nossos broches com motivos florais: margaridas, pequenos ramos e flores coloridas que ficam na lapela de um casaco, na gola de um sobretudo ou num lenço, e guardam a sua mensagem sem nunca murchar.
As flores não são, aliás, os únicos motivos com história: a árvore da vida fala de família e de raízes, a borboleta de transformação.
Em resumo
A linguagem das flores é uma herança poética do século XIX, e não um código oficial. Guarde os significados mais partilhados: a rosa vermelha para o amor, o miosótis e o amor-perfeito para a lembrança, o cravo vermelho para a liberdade. Evite os crisântemos como presente e deixe sempre que umas palavras escritas digam o que a flor apenas sugere.
E se há uma flor que a acompanha há muitos anos, talvez a encontre entre os motivos criados pela Ma Broche, para usar durante todo o ano.
Perguntas frequentes
Que flor simboliza o amor na linguagem das flores?▾
A rosa vermelha continua a ser o símbolo mais claro do amor apaixonado. A túlipa vermelha exprime sobretudo uma declaração, e o lilás o primeiro amor. Para um carinho terno ou que está a começar, prefere-se muitas vezes a rosa cor-de-rosa.
Que flor simboliza a amizade?▾
A rosa amarela, que perdeu o antigo sentido de ciúme, e a margarida, pela simplicidade, são as mais citadas. Um ramo de cores alegres com uma nota pessoal funciona igualmente bem.
Que flores evitar oferecer em Portugal?▾
Os crisântemos, ligados ao Dia de Todos-os-Santos e aos cemitérios, não são boa ideia como presente. Ramos muito brancos podem também lembrar uma despedida. Na dúvida, um cartão esclarece a intenção.
A linguagem das flores é igual em todos os países?▾
Não. Os dicionários do século XIX já não concordavam entre si, e o Japão tem o seu próprio sistema, o hanakotoba. A papoila, por exemplo, é flor dos campos em Portugal e flor de memória dos soldados no Reino Unido.
Que flor oferecer para dizer "penso em ti"?▾
O amor-perfeito e o miosótis, também chamado não-me-esqueças, são os mais explícitos. O lilás suave também combina com uma mensagem carinhosa e discreta.
