Gato da sorte: o maneki neko e o gato preto

Porque é que o gato traz sorte? A pata levantada e as cores do maneki neko, o gato preto em cada país, as sete vidas, Bastet, o Gato das Botas e ideias para oferecer.
O gato da sorte mais famoso do mundo é o maneki neko, o gatinho japonês sentado que levanta uma pata para «chamar» a sorte, os clientes e a prosperidade. Em Portugal, muita gente conhece-o como o gato chinês da sorte, mas a sua história começa no Japão. E o gato traz sorte muito para lá da Ásia: no antigo Egito estava associado à deusa Bastet, na mitologia nórdica puxava o carro da deusa Freyja e, na Grã-Bretanha, um gato preto que se cruza no caminho é, por tradição, um bom sinal. Por cá, pelo contrário, o gato preto carregou durante séculos a fama oposta. Tudo depende, portanto, do país, da cor e do gesto. Veja como ler estes símbolos, de onde vêm e como oferecer um gato da sorte com significado.
O que é o maneki neko, o gato da sorte japonês?
O nome significa literalmente «gato que convida»: maneki vem do verbo maneku, chamar ou fazer vir, e neko quer dizer gato. Vê-se junto à caixa de lojas e restaurantes, quase sempre em cerâmica e às vezes com uma pata que sobe e desce graças a uma pilha. A versão dourada que acena sem parar tornou-se tão comum nas lojas e restaurantes chineses que por cá lhe chamam «gato chinês». A figura nasceu, no entanto, no Japão, no período Edo.
Curiosamente, os portugueses já conheciam o Japão muito antes de o maneki neko existir. Foram os primeiros europeus a chegar ao arquipélago, a Tanegashima, em 1543, e o japonês ainda guarda palavras de origem portuguesa, como pan, pão.
A lenda do templo Gōtoku-ji
O relato mais conhecido passa-se no templo Gōtoku-ji, no bairro de Setagaya, em Tóquio. No século XVII, Ii Naotaka, senhor do feudo de Hikone, regressava de uma caçada com falcões quando um gato sentado à porta do templo pareceu acenar-lhe para entrar. Mal se abrigou, rebentou uma violenta tempestade. Agradecido, o senhor tornou-se protetor do templo, reconstruído em 1633 graças ao seu apoio, como conta o site oficial do templo Gōtoku-ji.
Hoje, os visitantes deixam lá milhares de figuras brancas para agradecer um desejo realizado. Têm uma particularidade: o gato de Gōtoku-ji levanta a pata direita e não segura nenhuma moeda. Segundo o ensinamento do templo, traz encontros, e cabe a cada um transformá-los em sorte.
Outros lugares reivindicam o nascimento do maneki neko, como o santuário de Imado, no bairro de Asakusa, também em Tóquio. Entre os primeiros registos escritos está a crónica de Edo Bukō nenpyō (1852); no mesmo ano, uma gravura de Utagawa Hiroshige, Jōruri-machi hanka no zu, mostra gatos de cerâmica à venda no templo Sensō-ji.
Pata esquerda ou pata direita?
Segundo a leitura mais difundida, a pata direita levantada atrai o dinheiro e a sorte, enquanto a pata esquerda atrai os clientes e as visitas. Há quem defenda o contrário, e também há gatos que levantam as duas patas, pelo sim, pelo não.
O que significam as cores do maneki neko
Na origem eram brancos ou pretos, mas hoje os maneki neko existem em todas as cores, e cada uma traz o seu desejo:
| Cor | O que se lhe atribui |
|---|---|
| Tricolor (branco, preto e ruivo) | O mais popular, considerado o que traz mais sorte |
| Branco | A pureza, a sorte e a prosperidade em geral |
| Preto | A proteção contra o azar e a segurança da casa |
| Vermelho | A saúde; dizia-se que afastava a doença |
| Dourado | A riqueza e o sucesso financeiro |
| Verde | O sucesso nos estudos e nos exames |
| Cor-de-rosa | O amor e as relações, uma leitura mais recente |

Estas correspondências, em parte inspiradas no feng shui, variam de vendedor para vendedor: encare-as como uma orientação e não como uma regra. No Japão, o gato que convida tem até o seu próprio dia: em 1995, o Japan Maneki Neko Club escolheu o dia 29 de setembro, porque a data pode ler-se kuru fuku, «a sorte está a chegar». E em 2007, a pequena estação de Kishi, na prefeitura de Wakayama, nomeou chefe de estação uma gata tricolor chamada Tama. Conhecida como o «maneki neko vivo», trouxe de volta os passageiros a uma linha que estava ameaçada de encerrar.
Gato preto: sorte ou azar?
A resposta curta: depende de onde cresceu. O gato preto que ainda faz hesitar alguns portugueses é visto como um sinal de sorte na Grã-Bretanha.
De onde vem a má fama do gato preto
Na Europa, a partir da Idade Média, o gato preto passou a ser associado à noite, à bruxaria e ao diabo. Daí vem a superstição que continua viva: se um gato preto se cruzar no seu caminho, diz-se que anuncia uma desgraça, sobretudo numa sexta-feira 13. Em compensação, a língua portuguesa é generosa com os gatos: aqui têm sete vidas, e não nove como em inglês. E há provérbios para todos os gostos, de «gato escaldado de água fria tem medo» a «de noite, todos os gatos são pardos», ambos registados pelo Instituto Cervantes entre os provérbios mais conhecidos do português europeu.
Em Itália, o preconceito continua enraizado: a agência ANSA fala de «un preconcetto duro a morire». A associação AIDAA (Associazione Italiana Difesa Animali ed Ambiente) promove todos os anos, a 17 de novembro, um dia do gato preto, contra as superstições e pela proteção dos gatos pretos. A data não é por acaso: em Itália, o número do azar é o 17 e não o 13.
No Reino Unido e no Japão, um sinal de sorte
Na Grã-Bretanha, cruzar-se com um gato preto é considerado sobretudo um bom presságio. A Dictionary of Superstitions, de Iona Opie e Moira Tatem (Oxford University Press, 1989), reúne muitas crenças britânicas neste sentido, por vezes contraditórias de região para região. A associação britânica Cats Protection criou mesmo, a 27 de outubro de 2011, um National Black Cat Day, porque os gatos pretos dos seus abrigos esperavam em média cerca de uma semana a mais por uma nova casa. No Japão, como vimos, diz-se que o maneki neko preto protege a casa e afasta o azar.
Ypres e o seu desfile de gatos
Em Ypres, na Bélgica, o Kattenstoet recorda uma história mais sombria. Durante séculos, atiraram-se gatos vivos do alto do campanário do mercado dos tecidos; segundo uma reportagem da televisão pública flamenga VRT, a última vez que se lançaram gatos vivos foi em 1817, como registou o primeiro arquivista da cidade. Desde 1938, o bobo da cidade lança gatos de peluche, e um grande cortejo felino, criado em 1955, desfila de três em três anos, no segundo domingo de maio: o site oficial do desfile dos gatos anuncia a próxima edição.



O gato, animal sagrado e portador de sorte na história
Muito antes das figuras japonesas, o gato já tinha fiéis devotos.
Bastet e os gatos do antigo Egito
No antigo Egito, o gato protege os celeiros dos roedores e está associado a Bastet, deusa protetora do lar, das mulheres e dos nascimentos, muitas vezes representada com cabeça de gato. O seu grande santuário ficava em Bubástis, no delta do Nilo. O historiador grego Heródoto conta, no livro II das suas Histórias (século V antes da nossa era), que, quando o gato da casa morria, os seus habitantes rapavam as sobrancelhas, e que o animal era embalsamado. No British Museum, em Londres, o célebre gato Gayer-Anderson, um bronze de cerca de 600 antes da nossa era, representa a deusa sob a forma de um gato sentado.
Freyja, o Gato das Botas e outros gatos da sorte
Na mitologia nórdica, Freyja, deusa do amor, viaja num carro puxado por dois gatos, segundo a Edda em prosa de Snorri Sturluson (por volta de 1220). E nos contos da nossa infância, o gato da sorte mais querido é certamente o Gato das Botas: na versão publicada por Charles Perrault em 1697, um gato astuto faz a fortuna do filho mais novo de um moleiro, que não tinha herdado mais nada além dele.
O gato não é o único animal a quem se atribui este poder. A joaninha, o elefante ou a tartaruga também têm as suas crenças, e é isso que dá sentido aos animais simbólicos para usar num broche: cada um traz a sua própria crença.
O que simboliza o gato hoje?
Para além da sorte, o gato reúne vários símbolos que se encontram de uma cultura para outra:
- A independência: escolhe os seus amigos, e é muitas vezes isso que mais admiramos nele.
- A proteção da casa: uma herança do seu papel de caçador de ratos em celeiros, lojas e navios.
- O mistério e a intuição: animal do crepúsculo, vê na penumbra.
- A agilidade: de quem se safa bem de um aperto diz-se que cai sempre de pé, como os gatos.
Cada um destes significados pode guiar uma escolha: um gato tranquilo para quem adora o seu cantinho, um gato preto para quem se ri das superstições. É também uma boa forma de escolher entre os nossos broches em forma de gato: parta do traço de carácter que quer oferecer.
Oferecer um gato da sorte
Tal como a figa, amuleto tradicional contra o azar, um gato da sorte é uma prenda encantadora para o Natal ou para um novo começo: um emprego novo, uma casa nova, um negócio que abre portas. Para que toque mesmo, pense primeiro na pessoa e só depois no objeto:
- para uma amiga que abre uma loja ou começa a trabalhar por conta própria, um maneki neko com a pata esquerda levantada, o que atrai os clientes;
- para acompanhar um desejo de saúde, a tradição japonesa associa o vermelho à proteção contra a doença;
- para uma apaixonada por gatos, um amuleto que ela possa usar em vez de mais um enfeite para a estante;
- e, em todos os casos, um pequeno bilhete a explicar o símbolo.
Se ainda tem dúvidas, o nosso guia para escolher um broche para oferecer ajuda-a a partir daquilo que ela já usa.
Trazer o seu gato da sorte sempre consigo
Um maneki neko fica na estante; um gato que se usa acompanha-nos para todo o lado. É esse o espírito dos broches de bijuteria da Ma Broche: um amuleto discreto na lapela de um casaco, numa camisola ou numa mala.

Quanto aos tons, o dourado lembra o maneki neko da prosperidade, o prateado acompanha os cinzentos e os azuis do inverno, e o dourado rosa aquece um casaco camel ou uma malha cor de creme. A maioria dos nossos gatos fixa-se com íman, por isso a caxemira e a lã fina ficam intactas. Para um efeito mais suave, um gatinho num lenço atado fica lindamente: siga os nossos conselhos para prender um lenço com um broche sem puxar o tecido.
Em resumo
O gato da sorte por excelência é o maneki neko japonês: pata direita para a fortuna, pata esquerda para os clientes e uma cor para cada desejo. O gato preto, por sua vez, é considerado um bom presságio na Grã-Bretanha e, na forma de maneki neko preto, diz-se que afasta o azar; a sua má fama em Portugal ou em Itália vem sobretudo das superstições herdadas da Idade Média. De Bastet ao Gato das Botas, o gato continua a ser um dos símbolos mais ricos para oferecer ou para se mimar a si própria.
Perguntas frequentes
Onde se coloca um maneki neko em casa?▾
A tradição coloca-o perto da entrada, virado para a porta, já que a sua missão é «convidar» a sorte e as visitas a entrar. Numa loja, fica na montra ou junto à caixa. O importante é que se veja bem a partir da entrada.
Porque é que o maneki neko usa uma coleira vermelha com um guizo?▾
Este pormenor viria do período Edo: as famílias abastadas, para quem um gato era um luxo, punham-lhe uma coleira de tecido vermelho com um guizo, para o enfeitar e para o ouvir chegar. As figuras mantiveram esse toque de vaidade.
O que significa a inscrição na moeda do maneki neko?▾
Na barriga lê-se muitas vezes o carácter 福, fuku, «boa sorte», ou 開運, kaiun, «a sorte que se abre». A moeda, um koban, traz frequentemente a inscrição «dez milhões de ryō», uma soma fabulosa no período Edo, como desejo de prosperidade sem limites.
Existe um dia internacional do gato?▾
Sim, a 8 de agosto. Foi lançado em 2002 pelo Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW) e é coordenado desde 2020 pela organização britânica International Cat Care. É uma boa ocasião para falar de bem-estar animal e de adoção.
Pode oferecer-se um gato de verdade no Natal?▾
Mais vale evitar a surpresa. Adotar um gato é um compromisso de muitos anos e deve continuar a ser uma decisão da pessoa que vai viver com ele. No Natal, mais vale oferecer um símbolo de gato para trazer sempre consigo.
