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Gato da sorte: o maneki neko e o gato preto

Por Ma-Broche.fr· 30 de setembro de 2026
Gato da sorte: o maneki neko e o gato preto

Porque é que o gato traz sorte? A pata levantada e as cores do maneki neko, o gato preto em cada país, as sete vidas, Bastet, o Gato das Botas e ideias para oferecer.

O gato da sorte mais famoso do mundo é o maneki neko, o gatinho japonês sentado que levanta uma pata para «chamar» a sorte, os clientes e a prosperidade. Em Portugal, muita gente conhece-o como o gato chinês da sorte, mas a sua história começa no Japão. E o gato traz sorte muito para lá da Ásia: no antigo Egito estava associado à deusa Bastet, na mitologia nórdica puxava o carro da deusa Freyja e, na Grã-Bretanha, um gato preto que se cruza no caminho é, por tradição, um bom sinal. Por cá, pelo contrário, o gato preto carregou durante séculos a fama oposta. Tudo depende, portanto, do país, da cor e do gesto. Veja como ler estes símbolos, de onde vêm e como oferecer um gato da sorte com significado.

O que é o maneki neko, o gato da sorte japonês?

O nome significa literalmente «gato que convida»: maneki vem do verbo maneku, chamar ou fazer vir, e neko quer dizer gato. Vê-se junto à caixa de lojas e restaurantes, quase sempre em cerâmica e às vezes com uma pata que sobe e desce graças a uma pilha. A versão dourada que acena sem parar tornou-se tão comum nas lojas e restaurantes chineses que por cá lhe chamam «gato chinês». A figura nasceu, no entanto, no Japão, no período Edo.

Curiosamente, os portugueses já conheciam o Japão muito antes de o maneki neko existir. Foram os primeiros europeus a chegar ao arquipélago, a Tanegashima, em 1543, e o japonês ainda guarda palavras de origem portuguesa, como pan, pão.

A lenda do templo Gōtoku-ji

O relato mais conhecido passa-se no templo Gōtoku-ji, no bairro de Setagaya, em Tóquio. No século XVII, Ii Naotaka, senhor do feudo de Hikone, regressava de uma caçada com falcões quando um gato sentado à porta do templo pareceu acenar-lhe para entrar. Mal se abrigou, rebentou uma violenta tempestade. Agradecido, o senhor tornou-se protetor do templo, reconstruído em 1633 graças ao seu apoio, como conta o site oficial do templo Gōtoku-ji.

Hoje, os visitantes deixam lá milhares de figuras brancas para agradecer um desejo realizado. Têm uma particularidade: o gato de Gōtoku-ji levanta a pata direita e não segura nenhuma moeda. Segundo o ensinamento do templo, traz encontros, e cabe a cada um transformá-los em sorte.

Outros lugares reivindicam o nascimento do maneki neko, como o santuário de Imado, no bairro de Asakusa, também em Tóquio. Entre os primeiros registos escritos está a crónica de Edo Bukō nenpyō (1852); no mesmo ano, uma gravura de Utagawa Hiroshige, Jōruri-machi hanka no zu, mostra gatos de cerâmica à venda no templo Sensō-ji.

Pata esquerda ou pata direita?

Segundo a leitura mais difundida, a pata direita levantada atrai o dinheiro e a sorte, enquanto a pata esquerda atrai os clientes e as visitas. Há quem defenda o contrário, e também há gatos que levantam as duas patas, pelo sim, pelo não.

O que significam as cores do maneki neko

Na origem eram brancos ou pretos, mas hoje os maneki neko existem em todas as cores, e cada uma traz o seu desejo:

CorO que se lhe atribui
Tricolor (branco, preto e ruivo)O mais popular, considerado o que traz mais sorte
BrancoA pureza, a sorte e a prosperidade em geral
PretoA proteção contra o azar e a segurança da casa
VermelhoA saúde; dizia-se que afastava a doença
DouradoA riqueza e o sucesso financeiro
VerdeO sucesso nos estudos e nos exames
Cor-de-rosaO amor e as relações, uma leitura mais recente
Sete maneki neko de cerâmica com a pata direita levantada, alinhados numa prateleira: tricolor, branco, preto, vermelho, dourado, verde e cor-de-rosa
Tricolor, branco, preto, vermelho, dourado, verde ou cor-de-rosa: cada cor de maneki neko traz um desejo diferente.

Estas correspondências, em parte inspiradas no feng shui, variam de vendedor para vendedor: encare-as como uma orientação e não como uma regra. No Japão, o gato que convida tem até o seu próprio dia: em 1995, o Japan Maneki Neko Club escolheu o dia 29 de setembro, porque a data pode ler-se kuru fuku, «a sorte está a chegar». E em 2007, a pequena estação de Kishi, na prefeitura de Wakayama, nomeou chefe de estação uma gata tricolor chamada Tama. Conhecida como o «maneki neko vivo», trouxe de volta os passageiros a uma linha que estava ameaçada de encerrar.

Gato preto: sorte ou azar?

A resposta curta: depende de onde cresceu. O gato preto que ainda faz hesitar alguns portugueses é visto como um sinal de sorte na Grã-Bretanha.

De onde vem a má fama do gato preto

Na Europa, a partir da Idade Média, o gato preto passou a ser associado à noite, à bruxaria e ao diabo. Daí vem a superstição que continua viva: se um gato preto se cruzar no seu caminho, diz-se que anuncia uma desgraça, sobretudo numa sexta-feira 13. Em compensação, a língua portuguesa é generosa com os gatos: aqui têm sete vidas, e não nove como em inglês. E há provérbios para todos os gostos, de «gato escaldado de água fria tem medo» a «de noite, todos os gatos são pardos», ambos registados pelo Instituto Cervantes entre os provérbios mais conhecidos do português europeu.

Em Itália, o preconceito continua enraizado: a agência ANSA fala de «un preconcetto duro a morire». A associação AIDAA (Associazione Italiana Difesa Animali ed Ambiente) promove todos os anos, a 17 de novembro, um dia do gato preto, contra as superstições e pela proteção dos gatos pretos. A data não é por acaso: em Itália, o número do azar é o 17 e não o 13.

No Reino Unido e no Japão, um sinal de sorte

Na Grã-Bretanha, cruzar-se com um gato preto é considerado sobretudo um bom presságio. A Dictionary of Superstitions, de Iona Opie e Moira Tatem (Oxford University Press, 1989), reúne muitas crenças britânicas neste sentido, por vezes contraditórias de região para região. A associação britânica Cats Protection criou mesmo, a 27 de outubro de 2011, um National Black Cat Day, porque os gatos pretos dos seus abrigos esperavam em média cerca de uma semana a mais por uma nova casa. No Japão, como vimos, diz-se que o maneki neko preto protege a casa e afasta o azar.

Ypres e o seu desfile de gatos

Em Ypres, na Bélgica, o Kattenstoet recorda uma história mais sombria. Durante séculos, atiraram-se gatos vivos do alto do campanário do mercado dos tecidos; segundo uma reportagem da televisão pública flamenga VRT, a última vez que se lançaram gatos vivos foi em 1817, como registou o primeiro arquivista da cidade. Desde 1938, o bobo da cidade lança gatos de peluche, e um grande cortejo felino, criado em 1955, desfila de três em três anos, no segundo domingo de maio: o site oficial do desfile dos gatos anuncia a próxima edição.

O gato, animal sagrado e portador de sorte na história

Muito antes das figuras japonesas, o gato já tinha fiéis devotos.

Bastet e os gatos do antigo Egito

No antigo Egito, o gato protege os celeiros dos roedores e está associado a Bastet, deusa protetora do lar, das mulheres e dos nascimentos, muitas vezes representada com cabeça de gato. O seu grande santuário ficava em Bubástis, no delta do Nilo. O historiador grego Heródoto conta, no livro II das suas Histórias (século V antes da nossa era), que, quando o gato da casa morria, os seus habitantes rapavam as sobrancelhas, e que o animal era embalsamado. No British Museum, em Londres, o célebre gato Gayer-Anderson, um bronze de cerca de 600 antes da nossa era, representa a deusa sob a forma de um gato sentado.

Freyja, o Gato das Botas e outros gatos da sorte

Na mitologia nórdica, Freyja, deusa do amor, viaja num carro puxado por dois gatos, segundo a Edda em prosa de Snorri Sturluson (por volta de 1220). E nos contos da nossa infância, o gato da sorte mais querido é certamente o Gato das Botas: na versão publicada por Charles Perrault em 1697, um gato astuto faz a fortuna do filho mais novo de um moleiro, que não tinha herdado mais nada além dele.

O gato não é o único animal a quem se atribui este poder. A joaninha, o elefante ou a tartaruga também têm as suas crenças, e é isso que dá sentido aos animais simbólicos para usar num broche: cada um traz a sua própria crença.

O que simboliza o gato hoje?

Para além da sorte, o gato reúne vários símbolos que se encontram de uma cultura para outra:

  • A independência: escolhe os seus amigos, e é muitas vezes isso que mais admiramos nele.
  • A proteção da casa: uma herança do seu papel de caçador de ratos em celeiros, lojas e navios.
  • O mistério e a intuição: animal do crepúsculo, vê na penumbra.
  • A agilidade: de quem se safa bem de um aperto diz-se que cai sempre de pé, como os gatos.

Cada um destes significados pode guiar uma escolha: um gato tranquilo para quem adora o seu cantinho, um gato preto para quem se ri das superstições. É também uma boa forma de escolher entre os nossos broches em forma de gato: parta do traço de carácter que quer oferecer.

Oferecer um gato da sorte

Tal como a figa, amuleto tradicional contra o azar, um gato da sorte é uma prenda encantadora para o Natal ou para um novo começo: um emprego novo, uma casa nova, um negócio que abre portas. Para que toque mesmo, pense primeiro na pessoa e só depois no objeto:

  • para uma amiga que abre uma loja ou começa a trabalhar por conta própria, um maneki neko com a pata esquerda levantada, o que atrai os clientes;
  • para acompanhar um desejo de saúde, a tradição japonesa associa o vermelho à proteção contra a doença;
  • para uma apaixonada por gatos, um amuleto que ela possa usar em vez de mais um enfeite para a estante;
  • e, em todos os casos, um pequeno bilhete a explicar o símbolo.

Se ainda tem dúvidas, o nosso guia para escolher um broche para oferecer ajuda-a a partir daquilo que ela já usa.

Trazer o seu gato da sorte sempre consigo

Um maneki neko fica na estante; um gato que se usa acompanha-nos para todo o lado. É esse o espírito dos broches de bijuteria da Ma Broche: um amuleto discreto na lapela de um casaco, numa camisola ou numa mala.

Broche de gato sentado, liso e de cor dourada, na lapela de um casaco camel, com um cachecol de malha cor de creme
Um gato da sorte para trazer sempre consigo, na lapela de um casaco de inverno.

Quanto aos tons, o dourado lembra o maneki neko da prosperidade, o prateado acompanha os cinzentos e os azuis do inverno, e o dourado rosa aquece um casaco camel ou uma malha cor de creme. A maioria dos nossos gatos fixa-se com íman, por isso a caxemira e a lã fina ficam intactas. Para um efeito mais suave, um gatinho num lenço atado fica lindamente: siga os nossos conselhos para prender um lenço com um broche sem puxar o tecido.

Em resumo

O gato da sorte por excelência é o maneki neko japonês: pata direita para a fortuna, pata esquerda para os clientes e uma cor para cada desejo. O gato preto, por sua vez, é considerado um bom presságio na Grã-Bretanha e, na forma de maneki neko preto, diz-se que afasta o azar; a sua má fama em Portugal ou em Itália vem sobretudo das superstições herdadas da Idade Média. De Bastet ao Gato das Botas, o gato continua a ser um dos símbolos mais ricos para oferecer ou para se mimar a si própria.

Perguntas frequentes

Onde se coloca um maneki neko em casa?▾

A tradição coloca-o perto da entrada, virado para a porta, já que a sua missão é «convidar» a sorte e as visitas a entrar. Numa loja, fica na montra ou junto à caixa. O importante é que se veja bem a partir da entrada.

Porque é que o maneki neko usa uma coleira vermelha com um guizo?▾

Este pormenor viria do período Edo: as famílias abastadas, para quem um gato era um luxo, punham-lhe uma coleira de tecido vermelho com um guizo, para o enfeitar e para o ouvir chegar. As figuras mantiveram esse toque de vaidade.

O que significa a inscrição na moeda do maneki neko?▾

Na barriga lê-se muitas vezes o carácter 福, fuku, «boa sorte», ou 開運, kaiun, «a sorte que se abre». A moeda, um koban, traz frequentemente a inscrição «dez milhões de ryō», uma soma fabulosa no período Edo, como desejo de prosperidade sem limites.

Existe um dia internacional do gato?▾

Sim, a 8 de agosto. Foi lançado em 2002 pelo Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW) e é coordenado desde 2020 pela organização britânica International Cat Care. É uma boa ocasião para falar de bem-estar animal e de adoção.

Pode oferecer-se um gato de verdade no Natal?▾

Mais vale evitar a surpresa. Adotar um gato é um compromisso de muitos anos e deve continuar a ser uma decisão da pessoa que vai viver com ele. No Natal, mais vale oferecer um símbolo de gato para trazer sempre consigo.

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