Como limpar bijuteria sem a estragar

Pano macio e seco, nada de água, guardar deitado: como limpar bijuteria com cuidado e o que pedem de verdade o aço, os strass, o esmalte e a resina.
Chove desde o fim da tarde. Chegas a casa, tiras o casaco de lã ainda húmido e deixa-lo pendurado na entrada, com o broche preso à lapela. À luz do candeeiro reparas nos pormenores: gotas secas no esmalte, um véu de laca sobre as pedrinhas, um pouco de base no rebordo. A primeira ideia é passá-lo por água. Espera um pouco.
Se queres saber como limpar bijuteria, sobretudo os nossos broches, a resposta cabe numa linha: um pano macio e seco, nada de água, nada de perfume nem de cremes, nenhum produto de limpeza da casa, e depois guardar a peça deitada, num sítio seco. É o que dizem as fichas dos nossos broches, esmaltados, de resina ou com strass. A seguir explicamos porquê, material a material, e o que fazer quando o broche apanha chuva.
Como limpar bijuteria: o método a seco

Não precisas de um armário cheio de produtos. Comparámos os cuidados indicados nas fichas de três dos nossos broches: uma tartaruga esmaltada, uma borboleta com strass e um retrato de mulher em resina. Nas três, a limpeza indicada é a mesma.
- Tirar o pó: depois de usar o broche, passa um pano limpo, macio e seco pela superfície.
- Afastar: água, perfume, cremes, maquilhagem e produtos de limpeza.
- Segurar bem: pela parte sólida (a carapaça da tartaruga, o corpo da borboleta), nunca por uma antena ou pela ponta de uma asa.
- Guardar: deitado, num sítio seco, sem nada pesado por cima dos relevos.
Daqui sai um hábito fácil de lembrar: primeiro o perfume e a laca, depois o broche, nunca ao contrário. Estes gestos valem para os nossos broches. Para qualquer outra peça, segue os cuidados próprios do seu material.
Se o broche apanhou chuva
Voltemos ao casaco molhado. Umas gotas na lapela secam-se com toques leves de um pano macio, sem mergulhar o broche. Só depois o guardas, já seco, e o casaco pode secar à parte.
De que é feita a bijuteria, e porque é que isso importa
Vale a pena saber o que tens na mão. A página da Wikipédia sobre a bijuteria conta que, no início, se tratava de imitações de joias, e que passou depois a reunir adereços com valor artístico próprio, sem procurar necessariamente imitar as joias. Entre os materiais, a página cita o vidro, o plástico e as miçangas.
O vidro, aliás, tem morada certa em Portugal. Na Marinha Grande, Guilherme Stephens, com o apoio do Marquês de Pombal, aproveitou a abundância de madeira e de areia da região para criar a indústria vidreira. Segundo a Wikipédia, um marco de pedra datado de 1776 lembrava que as lenhas do pinhal, numa légua em redor, pertenciam à Fábrica de Vidros. Hoje pode ser visto no Museu do Vidro.
Vidro, plástico, miçangas: uma lista tão variada diz o essencial: não há uma só bijuteria, logo não há uma só forma de a limpar. Os nossos três broches juntam aço com esmalte, com resina ou com strass, e cada material reage à sua maneira à água, à fricção ou aos produtos químicos. A regra certa escolhe-se a pensar na parte mais delicada da peça, não na mais resistente.



O aço dos nossos broches: o que diz a ficha

Os três broches têm uma base de aço com acabamento dourado ou prateado, os mesmos tons que encontras em toda a coleção, dos broches dourados aos modelos prateados. Nas nossas fichas está escrito «aço», e não «aço inoxidável». E a diferença conta.
Cerca de 11% de crómio
Segundo a página da Wikipédia sobre o aço inoxidável, é preciso um mínimo de cerca de 11% de crómio em massa para que o aço seja inoxidável. Forma-se então à superfície uma película muito fina e estável de óxido de crómio, chamada camada passiva, que protege o metal contra a corrosão. Tem cerca de 100 angstrons, tão fina que quase não interage com a luz.
Porque seguimos a ficha à letra
Essa proteção é própria do aço inoxidável, e as nossas fichas não o afirmam. Por isso seguimos a indicação concreta que dão: o broche longe da água e dos produtos de limpeza, e só um pano macio e seco. E nestes três broches o metal não vem sozinho: há esmalte, resina, strass e relevos a poupar.
Strass, esmalte e resina: nada de banhos

O que pede a ficha da borboleta
Na ficha da nossa borboleta, as pedrinhas pretas das asas são descritas como strass. A ficha não indica a sua composição, por isso seguimos o que ela diz: passar um pano limpo, macio e seco pelo aço e pelos strass, sem água, perfume nem cremes.
A mesma ficha acrescenta um pormenor que muitas vezes se esquece: guardar o broche seco e deitado, longe de acessórios pesados que possam pressionar as antenas ou as pontas das asas. Na gaveta, cada peça no seu lugar.
Esmalte, resina e purpurina
A nossa tartaruga é esmaltada em cinzento claro, branco-creme e antracite. O retrato de mulher de boné cinzento é de resina, com pormenores de purpurina no boné. Para os dois, a mesma regra: pano macio e seco, longe da água, do perfume, da cosmética e dos produtos de limpeza. Uma superfície com purpurina trata-se da mesma forma: nem escova nem banho, só uma passagem de pano.
Vinagre, bicarbonato, pasta de dentes?
Quem procura na internet como limpar bijuteria encontra sempre as mesmas receitas caseiras: um banho de vinagre, água com bicarbonato, uma camada de pasta de dentes. Passam de página em página, muitas vezes como se fizessem milagres. Aqui convém separar as águas:
- o que está documentado: as nossas fichas afastam a água e os produtos de limpeza do aço, do esmalte, da resina e dos strass;
- o que não está: a ideia de que um banho deixa qualquer peça de bijuteria como nova. Nenhuma das nossas fontes o confirma para uma peça com decoração de cor.
Numa peça que junta metal, cor e strass, a regra mais prudente é também a mais simples: a seco.
Broches magnéticos: duas peças, um só lugar

Um broche com fecho magnético não tem alfinete. Um íman no motivo atrai uma placa separada, que fica do outro lado do tecido. Este pequeno sistema tem as suas próprias regras:
- guarda o motivo e a placa juntos, na mesma caixa, para a placa não se perder;
- mantém-nos longe dos cartões bancários;
- separa as duas peças com suavidade, deslizando a placa, sem puxar pela decoração.
Nos tecidos delicados, o sistema tem uma vantagem: sem alfinete, o tecido não fica furado. Encontras todos os modelos deste tipo nos nossos broches magnéticos. E se queres segurar um lenço de seda sem o furar, lê o nosso guia para prender um lenço com um broche.
Guardar a bijuteria até à próxima saída
Entre duas saídas, o broche fica na gaveta. Por isso, guardá-lo bem conta tanto como limpá-lo:
- deitado, como pedem as nossas fichas, para que nada pressione uma ponta ou um relevo;
- num sítio seco, longe dos frascos de perfume e dos boiões de creme;
- cada peça no seu lugar, nada pesado por cima, e os modelos magnéticos sempre com a sua placa.
Serve um porta-joias com divisórias, um tabuleiro forrado a tecido ou a caixa original, desde que o broche fique deitado, seco e sem peso em cima. O importante é que as peças não se amontoem.
Oferecer um broche com os cuidados num cartão
Se ofereces um broche, junta um cartão com três conselhos: «pano seco, sem água, guardar deitado». É um gesto pequeno que mostra a atenção que puseste no presente. Os nossos broches chegam preparados para oferecer, e a caixa passa depois a ser a casa do broche dentro da gaveta.
Para acertar no motivo, o nosso guia para escolher um broche para oferecer parte da pessoa, não do objeto. Depois, podes ver os nossos broches para senhora. Três modelos reúnem os materiais deste guia, todos magnéticos: a tartaruga em aço de cor dourada com esmalte cinzento e branco, a borboleta preta com strass em aço de cor dourada e o retrato de mulher em resina, de boné cinzento brilhante e óculos pretos. E se quiseres ver mais, espreita todos os nossos broches.
Em resumo: cada parte, o seu cuidado
A rotina mais segura para os três broches comparados: tudo a seco, limpeza suave e nenhuma pressão na gaveta. Na tabela, peça a peça, o que pedem as fichas.
| Parte do broche | O que dizem as nossas fichas | Porquê |
|---|---|---|
| Metal (aço) | Pano macio e seco, nenhum produto de limpeza | As fichas dizem «aço», sem indicar que seja inoxidável |
| Strass | Passagem suave com pano seco, nada pesado por cima | Nada pressiona as pedrinhas nem as pontas das asas |
| Esmalte | A seco, sem água nem perfume | Indicação da ficha da tartaruga |
| Resina, purpurina | A seco, sem cosmética nem banho | Indicação da ficha do retrato |
| Íman e placa | Juntos, na mesma caixa, longe dos cartões bancários | Assim a placa não se perde |
| Arrumação | Deitado, num sítio seco, cada peça no seu lugar | Nada pressiona pontas nem relevos |
A bijuteria não pede produtos especiais nem rituais complicados. Um pano, um pouco de atenção e uma caixa onde o broche espere, seco, pela próxima saída, faça sol ou chuva.
Perguntas frequentes
Quem descobriu o aço inoxidável?▾
Segundo a Wikipédia em português, foi Harry Brearley (1871-1948), que começou a trabalhar numa fábrica de aço aos 12 anos, na sua terra natal, Sheffield, em Inglaterra.
A bijuteria serve só para imitar joias?▾
No início, sim: tratava-se de imitações de joias. Depois passou a reunir adereços com valor artístico próprio, sem procurar necessariamente imitar as joias.
O que é o Hana Ami?▾
Uma técnica japonesa de entrelaçamento usada na confeção de bijuterias, segundo a página da Wikipédia em português dedicada à bijuteria.
Onde se pode ver a história do vidro na Marinha Grande?▾
No Museu do Vidro, instalado no Palácio Stephens e inaugurado em dezembro de 1998, que reúne peças artesanais em vidro.
Como sei se um broche é magnético ou tem alfinete?▾
Pela ficha do produto: em cada modelo está indicado o tipo de fixação, magnética ou com alfinete clássico.
